Le jour des Corneilles – O menino da Floresta (2012)

Pôster de lançamento belga.

Pôster de lançamento belga.

Fotografia de Chabrol que marca seu perfil no IMDB.

Fotografia de Chabrol que marca seu perfil no IMDB.

Le Jour des Corneilles consta como o último trabalho do qual participou Claude Chabrol, que é considerado um dos fundadores do movimento artístico cinematográfico denominado Nouvelle Vague. Tido como um divisor de águas na história do cinema, este movimento trouxe grandes inovações a partir da ideia de que o cineasta, assim como um escritor, faz uso da câmera para “escrever” sua história. A partir de então este grupo, formado por críticos de cinema que resolveram passar da teoria à prática, trouxe enormes influencias para a técnica cinematográfica no mundo.

Uma vez explicado um pouco sobre a relevância da presença de Chabrol na película, podemos passar a escrever sobre a obra que é uma adaptação baseada no conto do canadense Jean-Claude Bauchemin que foi publicado em 2005. Algo que resultou num trabalho complexo e dotado de elaborada técnica que toma por base as clássicas técnicas de desenho manual, acompanhadas por edição e interpolação em camadas de planos com auxílio da tecnologia digital.

Cenas que mostram o processo da animação.

Cenas que mostram o processo da animação.

Lançado em outubro de 2012, este audiovisual é o segundo longa-metragem dirigido por Jean-Christophe Dessaint, o qual é conhecido pela hilária série de animação “Oggy e as Baratas”  (Oggy et les cafards) e pela fantástica adaptação dos quadrinhos “O gato do Rabino” (Le chat du rabbin), criado por Joann Sfar.

Oggy e as baratas, O gato do rabino, Jean-Christophe Dessaint, Amadine Taffin

Oggy e as baratas, O gato do rabino, Jean-Christophe Dessaint, Amadine Taffin

Apesar da inegável influência do olhar cinematográfico de Chabrol, Dessaint procurou se aproximar mais das descrições geográficas de Bauchemin e, com isso, estabelecer um estilo mais original. Desta forma, pôde contar com auxilio da roteirista Amadine Taffin e trazer aspectos generalizados de uma França rural do início do século XX amalgamados aos devaneios atemporais, tão característicos das fábulas.

Neste sentido, a animação faz uso de explanação digressiva para contar a historia de Courge um triste homem bruto, que luta para criar seu filho em meio a uma floresta e mantê-lo distante de quaisquer outros humanos.  Contudo, o jovem encontra o conforto do carinho nas silenciosas relações que desenvolve com seres antropozoomórficos vindos do “outro mundo” – dentre eles a sua mãe, que apresenta a cabeça de corça. Em meio aos rudes tratos do pai, o filho se vê entre a admiração por seu progenitor e o constante diálogo que trava com os seres do “outro mundo”.

storyboard

Este fato, para alguns críticos tornaria esta animação próxima das obras de aspectos surreais de Hayao Myasaki, algo com o qual não concordo muito, pois, na verdade, o que leva essa animação a lembrar das obras do Studio Ghiblli resulta no fato de o background ser pintada a mão, com uma paleta de cores muito vivas. As representações de personagens de Myasaki são focadas em transformar diversas partes estáticas do cenário em personagens com características muito próprias.

Jean Reno, Isabelle Carré, Lorànt Deutsch

Jean Reno, Isabelle Carré, Lorànt Deutsch

De qualquer forma, um acidente força o pequeno garoto a buscar socorro médico no vilarejo próximo da floresta – onde sua rude formação é sempre contraposta à falta de uma educação institucional. A partir de então, este jovem conhecerá o sábio “Doutor” (interpretado por Chabrol) e sua bela filha Manon, com quem passa a desvendar o passado de seu pai.

Esta historia exige do publico paciência para desvendar toda a complexidade de seu enredo e, somente então, dar sentido aos ocorridos caóticos que marcam esta fábula maravilhosa. Em meio a isso, o público pode desfrutar de uma bela trilha sonora orquestrada e, assim, “curtir” a doce metáfora da necessidade do convivo social fraterno e do amor na vida das pessoas.

Trilha por Benoit Dal

Trilha por Benoit Dal

Na posição de uma verdadeira obra de arte, Le Jour des Corneilles  é uma animação que pode ser adicionada à sua lista para ver com a família. Com uma história profunda e um trabalho de imagens cuidadoso, este audiovisual fica, para mim como uma da melhores (se não A melhor) revelações do ano de 2012. Infelizmente, o cinema de animação europeu ainda não conseguiu adentrar pelo espaço comercial brasileiro mas estamos a torcer para que este tipo de barreira se desfaça de vez com o tempo.

Primeira parte do Making of (featurette, em francês):

Trailer:

Legendas Free: http://legendasfree.com/le-jour-des-corneilles-2012/

Ps: A partir da legenda, se pode encontrar o filme por aí.

Vejam e tirem suas conclusões.

Um abraço do tio vaca….

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A Origem das Drogas

Esse desenho já tem uns 3 anos e foi uma tentativa minha de fazer uma charge. Percebam que o papel tem anotações  e está marcado pelo grafite que borrou tanto com a minha mão como pelo atrito do papel, já que esse caderno ficava direto na minha mochila.
Para quem não sabe, Dragonstopmotion é um programa que ajuda muito para fazer animação.

Essa “tirinha” faz parte de uma série que denominei ECCE HOMO.

A origem das Drogas

A origem das Drogas

O Núcleo de Cinema de Animação de Campinas

Como vocês já perceberam, animação é um dos assuntos que sempre me interessou e eu sempre fiquei fulo da vida quando ouvia alguém dizer que o Brasil não tem animadores e que os caras que sabem do assunto estão todos no exterior. Pois eu tenho algo muito interessante para dizer aqui para vocês!

Nós temos um lugar em Campinas onde se pode conhecer sobre a história das animações e até mesmo aprender a CRIAR nossas próprias animações!

Sim meus caros leitores! Eu me refiro ao Núcleo de Cinema da Animação de Campinas (NCAC) que este ano está prestes a completar 40 anos de atividades, onde incentiva o ensino e pesquisa na área de animação. Fruto da parceria entre o professor da UNICAMP Wilson Lazaretti e o publicitário Maurício Squarisi, este espaço foi criado no ano de 1975 com o objetivo de oferecer um contato mais próximo com as diversas técnicas de animação para jovens e adultos.

Aqui podemos ver os grande mestres. Na esquerda, Wilson Lazaretti e na direita Maurício Squarisi.

Aqui podemos ver os grande mestres. Na esquerda, Wilson Lazaretti e na direita Maurício Squarisi.

Estes dois animadores foram definidos pelos redatores do sítio virtual do Museu de Arte Moderna de Campinas (MAM) como “‘heróis da resistência’ e/ou ‘persistência’, há mais de 30 anos vivem de arte, na área de “cinema de animação” caracterizados por uma enorme vontade e capacidade autodidata. Conhecedores das mais variadas técnicas de animação, estes homens têm a oferecer um variado leque de informações sobre história, produtores e técnicas, com os quais formam animadores já há décadas.

Os membros do Núcleo realizaram interessantes projetos, dentre os quais merecem especial atenção às visitas que fizeram entre os anos de 1991 e 1996 aos estados do Amazonas e Mato Grosso. Ali Wilson Lazaretti, junto com uma equipe, passou semanas em meio a tribos indígenas para realizar oficinas nas quais ensinaram jovens e crianças a criarem suas próprias animações. O projeto na tribo de São Gabriel da Cachoeira (AM) resultou na animação “Çuikíri” e foi aclamado pela crítica intelectual da animação, inclusive em Nova Iorque. Essa animação pode ser vista aqui.

Por este motivo, Wilson Lazaretti realizou o esforço de formular um guia básico para a criação de animações que fosse acessível para todos e, desta maneira conseguiu publica o “Manual do pequeno animador” em parceria com a 3S Projetos e a Editora Komedi, no ano de 2009. Um pequeno livreto que explica desde o funcionamento de um projeto criativo até meios de publicação das animações. Simples e claro, este livro deve estar à disposição de todo jovem que tenha interesse em produzir suas animações.

Pode ser encontrado na internet, por cerca de R$ 10,00

Pode ser encontrado na internet, por cerca de R$ 10,00

No ano de 2011 tive a honra de conhecer o professor Lazaretti mais a fundo, durante três cursos que fiz como aluno especial na UNICAMP e neste momento pude entender melhor a ideia principal que leva, há tantos anos, o projeto do NCAC: o mais importante é tirar os jovens da condição de mero público e permitir que sintam o enorme prazer de se transformarem em criadores e narradores de suas próprias histórias!

Movidos por esta grande e sincera paixão, estes animadores já conseguiram produzir cerca de 280 animações, além de estarem no backstage dos três longa metragens “Café, um dedo de prosa”, “Tributo a Lotte Reiniger” e “História antes de uma história”.

História antes de história, produzido por Lazaretti.

História antes de história, produzido por Lazaretti.

Teaser de “História antes de uma história”:

Por esta razão, o grupo do Núcleo de Animações de Campinas oferece muito mais do que informações e técnicas, mas uma rica e bela visão a respeito da arte e da vida. E para quem se interessou pelo assunto, vocês podem encontrar mais informações no blog do Núcleo de Animação de Campinas http://nucleodeanimacaodecampinas.blogspot.com.br/ .

Aqui encontrei um vídeo que mostra um dos projetos realizados pela equipe do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas.

Por hoje é só p-p-p-pessoal.

Um abraço do tio “vaca”

“Ninguém é Perfeito” (Flawless) – 1999

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Peguei para ver esse filme pelo NETFLIX (um belo esqueminha pra se poder ver filmes e sobre o qual gostaria de um dia sentar para escrever sobre heheh) e fiquei interessado para assistir ao ver a presença do grande mestre De Niro. Outro grande mestre que marca sua presença é Philip Seymour Hoffman, que faz Rusty, uma drag queen que trabalha incessantemente para atingir seu sonho de mudança de sex.

Esta película chamou minha atenção principalmente depois que vi a notícia do novo documentário “Remembering The Artist Robert De Niro,Sr.” que o De Niro lançou há pouco como maneira de homenagear  os 20 anos da morte de seu pai, onde fala sobre a carreira deste artista plástico que, após se separar de sua mulher, descobriu sua homossexualidade. Este trabalho foi exibido no Festival de Sundance.

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Incitado pela curiosidade desta informação, decidi assistir a este filme que conta a história de um cara durão, já de meia idade, que vive em um apartamento no Bronx e sofre um derrame em meio ao ataque de narcotraficantes a um apartamento vizinho. A partir de então, este anti-herói se vê forçado a ter de enfrentar suas atitudes e pensamentos homofóbicos para ter aulas de canto com sua vizinha drag-queen, Rusty.  Assim, a história ganha maior complexidade a medida que o envolvimento emocional entre os personagens se aprofunda, em meio ao jogo de gato e rato dos traficantes que buscam o responsável por desaparecer com seu dinheiro.

Ao contar a história de diferentes vidas que transcorrem paralelas em meio às finas paredes de um antigo prédio decrépito. (palavra difícil? Abre o google e procura, pombas!) Desta maneira, “Ninguém é perfeito” intercala estas realidades e revela a brutalidade da grande cidade, ao mesmo tempo que explicita as belezas da rotina e da relações em meio à selva de pedra. Este fato está patente (nossa que palavra estranha…. é o que me veio à cabeça) no filme na constante contraposição de matizes fortes que são organizadas junto a uma iluminação que reforça as sombras e contornos escuros.

Desta forma, Walt (interpretado por De Niro) tem cada vez mais pessoas adicionadas ao seu circulo de amigos e paulatinamente vê sua vida de lobo solitário invadida por verdadeiros AMIGOS. Além do mais, este homem conta com estes companheiros para superar esta drástica mudança que o força a ter que lidar com o fato de não ser mais aquele homem forte e autossuficiente, que era capaz de defender todos a sua volta. Algo que fica muito claro na cena em que o violento namorado de Rusty invade a aula de canto e força os dois a se trancarem no quarto.

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Assim a diversidade da sociedade metropolitana de Nova Yorque é cada vez mais exaltada, como podemos notar no momento da festa feita em homenagem à Walt, a qual procura mostrar personagens de ascendência italiana, a médica asiática, as drags negras e porto riquenhas.  Neste momento, o diretor procura inserir uma paleta muito mais rica de luzes e cores como forma de reforçar toda esta ideia. Deem uma olha na tomada abaixo que recortei do filme, para entender melhor sobre o que estou falando.

de niro 2

Eu acho que o filme conseguiu trazer uma fantástica expressão sobre os grupos marginalizados da cidade grande, ao reunir uma comunidade estereotipada dentro deste pequeno prédio antigo e decadente. Uma comunidade que revela a vida e os sentimentos de seres humanos  cujo estilo de vida envolve lidar com o escárnio da sociedade que se diz normal. Sempre mantendo a clássica estética das películas de suspense policial, o diretor Joe Shumarscher foi capaz de suscitar reflexões profundas e oferecer um filme interessante para se conhecer.

Enfim, é o que tem pra hoje.

Um  grande abraço do tio “vaca” pra vocês.

Um Retorno

Quando estava no último ano da faculdade, resolvi criar este blog com o propósito de compartilhar alguns pensamentos e, principalmente, oferecer acesso aos torrents e análises de animações que escapassem ao circuito hollywoodiano. Sempre interessado em trazer algo capaz de propiciar  um deleite estético, ao mesmo tempo que suscitasse reflexões mais profundas sobre aspectos do ser humano.

O problema da continuidade deste projeto me veio, em primeiro lugar, pelo fato de eu ser um cara (muito mal organizado) que, alguns meses depois, precisou começar a dar aulas de História no Estado de São Paulo. Além disso, tenho o hábito de passar horas/dias na internet vasculhando informações sobre os mais variados assuntos que passam pelos universos do HQ, videogames, artes plásticas, literatura, cinema, documentários, música e mais uma caralhada de coisas. Até no desenho eu arrisco, olha só!

Lógica Acadêmica

Eu sou aquele cara que mantém cadernos, papéis e canetas espalhados pela casa e anoto todo tipo de informações que acho interessante e que, de alguma forma, poderiam serem utilizadas em sala de aula ou apenas compartilhadas por serem interessantes. Junto disso, guardo anotações de diversas ideias e “viagens” que me vêm do nada.

Enfim, sou NERD (em Caps Lock mesmo!) e louco pra cacete!

Mas um louco obstinado com o desenvolvimento intelectual e ético tanto meu quanto das pessoas em meu entorno e não do tipo que busca desenvolver arquétipos maniqueístas que confluam com o meu interesse… Afinal, minha formação me lembra sempre sobre a existência de uma pancada de perspectivas de mundo, da qual a minha é apenas mais uma.

Vixe! Do que eu estava falando mesmo?

Ah sim! O meu colecionismo de informações que considero interessantes e, acima de tudo, úteis de alguma maneira.

Foi daí que me veio a ideia do subtítulo desse blog “Pra tirar leite de pedra”, já que caço o mais variado leque de curiosidades e acredito que absolutamente TUDO tem seu lado interessante.

Pois bem, como vocês podem notar, ficar restrito a apenas um assunto, não satisfaz minha necessidade e por ver que cada vez mais eu fugia dos assuntos, comecei a deixar para escrever em outro momento – que nunca surgia.

Entretanto, ao conversar com um amigo das antigas (grande Caie “Vulto” Perez) me senti motivado a retomar esse blog e lançar nele essas anotações doidas dos mais variados temas que tenho em dezenas de cadernos guardados no armário.

O melhor é que, para isso, não preciso usar de uma escrita rebuscada! Posso, como diria o mestre Tim Maia “ficar à vontade”.

Há anos atrás, vi um vídeo na TV Cultura no qual o prof. Pasquale falava que as palavras eram como roupas em um armário. Viajei tanto nisso que peguei a citação e fiz um desenho sobre, pensando em utilizar numa futura aula.

Capturar

Por este motivo, aviso aos leitores desde já que aqui é o espaço em que você me encontra em casa, com um cuecão furado e uma cerveja na mão! Sempre pronto para “bater um papo” sobre os mais variados assuntos e aberto a pesquisar sobre assuntos que vocês tenham vontade de conhecer um pouco mais.

Eu sei que essa birosca desse post ficou meio longo, mas acredito que antes de qualquer coisa, fosse necessário que eu fizesse esta breve explicação.

Um grande abraço à todos e, como diria a música do B-negão e os seletores de frequência: “Vamo que vamo, que o funk não pode parar”

O Homem que plantava Árvores

Direção: Frédéric Back
Produção: Frédéric Back
Hubert Tison
Roteiro: Jean Giono
Jean Roberts
Narração: Philippe Noiret
Christopher Plummer
Edição:   Norbert Pickering
Duração: 30 minutes
País de Origem: Canada
Língua Original:French

Direção: Frédéric BackProdução: Frédéric Back                Hubert TisonRoteiro: Jean Giono                Jean RobertsNarração: Philippe Noiret                Christopher PlummerEdição:   Norbert PickeringDuração: 30 minutesPaís de Origem: CanadaLíngua Original:French

Produzida em 1988, esta animação dá “movimento” ao fantástico texto homônimo de Jean Giono(1895-1970) que foi produzido para a Revista Readers Digest, em 1953 e cuja expressão atingiu proporções mundiais. Uma obra que abarca uma ambientação muito ampla ao englobar os anos desde 1913 a 1947 e é considerada um manifesto pela causa ecológica, tendo sua adaptação para as telas feita pela dupla Frédéric Back e Philippe Noiret Por este motivo, acho pertinente desenvolver um pouco algo a respeito do contexto deste período.
A história tem início um ano antes do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro Francisco Ferdinando. Momento que marca o início da Primeira Guerra Mundial (ou A Grande Guerra(1914-1918), como ficou conhecida no período) cuja destruição de boa parte da Europa em função da lógica da “guerra total” (presente no contexto) e do desenvolvimento das “máquinas de guerra” – inclusive a primeira utilização do avião com tal finalidade –conduziu estes países a um momento caótico, marcado pela reconstrução das cidades destruídas tanto da Tríplice Entente, como da Tríplice Aliança.
Esta guerra fica marcada como um conflito de caráter puramente imperialista, no qual as grandes potências européias digladiavam-se pelo predomínio econômico sobre as colônias da África e Ásia, com fim de obter fontes garantidas de mão-de-obra barata e matéria prima, assim como desenvolver novos nichos de mercado para seus produto. Tal conflito teve seu fim com a derrota da Tríplice Entente, composta pela Itália (que passa para o lado da Aliança no ano seguinte ao início da guerra), Império Austro-Húngaro e Alemanha e culminou no famoso Tratado de Versalhes conhecido por agregar, em si, conceitos imperialistas por impor condições muito “pesadas” às nações derrotadas – algo que resultou em um forte sentimento revanchista entre as mesmas, assim como ofereceu uma situação favorável aos EUA para que estes tivessem um crescimento econômico sem precedentes, pautado no fornecimento de materiais e alimentos para a reconstrução da Europa.

Capa da revista VEJA sobre o assunto

Adentrando pelo período conhecido pelos historiadores como “entre guerras”, teremos a reorganização econômica dos países no continente europeu e fez com que estes não tivessem mais necessidade de importar enormes quantias de produtos. Algo que levou os EUA entrarem em uma profunda crise econômica (Crise de 1929), devido uma excessiva produção que ficou sem possibilidade de escoamento e fez com que uma crise de caráter cíclico se estabelece entre os norte-americanos e atingisse seu ápice no dia 24 de outubro de 1929 – a “quinta-feira negra” – quando se dá a efetiva “quebra” da bolsa de valores.

Fotografia da algomeração de uma multidão de pessoas em frente a bolsa de valores, em 24 de out de 1929

Desta maneira, a crise se espalha por todo o globo terrestre e resulta no que ficou conhecido como “A Grande Depressão” e será fator direto para possibilitar o surgimento de propostas de governo extremistas (tanto de esquerda, como de direita), resultando na conhecida disseminação de governos autoritários – de caráter fascista – por toda Europa, pautados em um forte nacionalismo, protecionismo econômico e centralização do poder nas mãos de um líder “forte”. Em meio a isto, teremos ascensão de personalidades cujos discursos irão inferir diretamente no desespero de massas famintas como Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália, Salazar em Portugal e Franco na Espanha.
Por fim, a 2º Guerra Mundial (1939-1945) que vem como uma continuação da Grande Guerra, impulsionada pelo sentimento insatisfação/revanchismo entre as potências econômicas que se viram desfavorecida com o Tratado de Versalhes, já que não obtiveram interessantes colônias para fornecimento de mão-de-obra e matéria-prima. Seriam ela a Itália, Japão e Alemanha; que terminaria por se tornar o grupo conhecido como “Eixo” e rivalizaria militarmente com os “Aliados”.

A destruição resultante da 2ªG.M.

Como resultado deste conflito temos a derrota do Eixo, marcada pelo lançamento das bombas nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki e, uma vez mais, a Europa termina totalmente destruída. A partir deste momento, da-se início os período que ficou conhecido como Guerra Fria.
Apesar de longo (e até maçante) esta contextualização resulta importantíssima para uma melhor compreensão desta animação que parte do relato de um jovem que, por suas andanças conhece o solitário pastor Elzéard Bouffier na região dos Alpes Provençais (entre a região de Banon e Vergons) e o descobre em uma obstinada tarefa de plantar sementes de carvalho por uma região inóspita. Um ato que, para muitos resulta uma loucura, mas que para nosso protagonista revelar-se-á uma importante lição de vida, o conduzindo a uma profunda reflexão a respeito das relações entre o tempo, a natureza e o ser humano.
Dotado de uma complexa serenidade, o personagem de Bouffier é, pelo autor, apresentado como um excepcional modelo de caráter e perseverança que, focado em sua tarefa, passa alheio a estes momentos da história que conduziam ao desespero os mais variados pontos do mundo. Uma situação que nos leva a refletir sobre a ínfima importância dos conflitos humanos diante da invariável do tempo, que passa e dissolve tais pequenisses, restando disso o pó e a poderosa natureza. E que por mais que nos deixemos levar pelos momentos, a situação há de passar e o humano, com sua breve existência, junto com ela.
Esta animação nos ajuda a lembrar o como somos pequenos diante da historia deste mundo e que, assim como muitas civilizações já o fizeram, haveremos de perecer, após este florescimento. Então, a natureza haverá de tomar seu lugar e restaurar as mudanças e a destruição que causamos.
Constituída por meio da complexa técnica do giz pastel, esta obra segue um tranço marcado por constantes mutações e sua semiótica nos conduz por uma constante confusão de um mundo árido e explorador para terminar em vastos campos florescidos, por onde corre um jovem veio d´água. Este final me fez pensar muito sobre a necessidade de persistir em nossos sonhos para que, quando nos formos, fique algo (por menor que seja) construtivo e interessante nos corações daqueles que passam por nós…..

Torrent com legenda

Texto da animação

Veja a animação dublada em português!!!


CHEGA DE ESCREVER………….

Desculpa ter ficado tão grande¬¬

Barefoot Gen (Gen Pés Descalços)

Bom, Depois de um bom tempo sem postar porra nenhuma nesse espaço, finalmente criei vergonha na cara de atualizar o blog…
Não tanto por mim, mas porque tenho notado que minhas crianças das escolas estão com dificuldades (lê-se preguiça) pra achar os filmes que passo….
Enfim, aí Vai um texto que escrevi sobre a animação!!!

Esta animação é baseada série de quadrinhos homônima, que resulta um trabalho autobiográfico desenhado e escrito por Keiji Nakazawa, nascido em 1934. Sua obra mostra a dura história de vida do garoto Gen (lê-se Güen), o alterego do autor, desde os dias que precederam a destruição de sua cidade natal, Hiroshima, pela bomba atômica, durante a segunda guerra mundial.
Certamente não tão completa quanto a obra escrita, esta animação trás a complexidade da vida cotidiana nas terras do sol nascente em tempos de guerra e revela as sanções aplicadas (tanto pela comunidade como pelo Estado) aos que se opunham ao nacionalismo extremado que impulsionava as forças militares japonesas ao apresentar o pai do personagem. Infelizmente, na animação o pai não tem sua personalidade tão trabalhada como no mangá, o qual aponta a não concordância deste para com o conflito. Devido tal fato não só o patriarca, mas também sua família sofreu retaliações de todos os tipos, tendo os garotos sido surrados, molestados e tachados como covardes, os alimentos que plantavam foram destruídos e ele próprio foi preso, por “traição ao imperador”.

Dotado de um traço (que é característica do mangá) simples e, na maioria das vezes, engraçado de Nakazawa contrasta com uma temática de dramaticidade muito séria e impactante ao mesmo tempo que despe as relações cotidianas no âmbito familiar do período, ao mesmo tempo que oferece uma contextualização clara para os que não estão familiarizados com os fatos.
Animação deixa bem expresso o caráter desesperado das ações japonesas presente já nos dias que precedem a catástrofe de Hiroshima, afinal, os EUA já haviam vencido a Batalha de Midway e denuncia o ufanismo nipônico com intrínseco olhar crítico. Dois dias após este ataque, os EUA lançam outra ogiva nuclear (dessa vez sobre Nagasaqui) forçando a finalização da guerra ao obter a rendição incondicional dos japoneses. Estava dado o início do período que, posteriormente, ficou conhecido como a GUERRA FRIA.
Uma animação que não pode passar batida no nosso repertório e que deixa a reflexão sobre os legados da 2ª Guerra Mundial para o Japão e para o mundo. O foda é que esse tipo de coisa não chega aqui de outra forma se não for pela net…..
Em Katakana——— はだしのゲン
Em Rōmaji———– Hadashi no Gen
Direção————- Mori Masaki
Produção———— Keiji Nakazawa
Roteiro————- Keiji Nakazawa
Elenco——————Issei Miyazaki
Masaki Kōda
Junji Nishimura
Yoshie Shimamura
Katsuji Mori
Kōichi Kitamura
Seiko Nakano
Taeko Nakanishi
Takao Inoue
Musica——————Kentarō Haneda
Cinematografia——Kin’ichi Ishikawa
Edição——————-Harutoshi Ogata
Duração—————-85 min.
País———————-Japão
Língua——————japones
Legenda-—————português

Filme

legenda

Abaixo você pode acessar o filme pelo youtube.

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