O Homem que plantava Árvores

Direção: Frédéric Back
Produção: Frédéric Back
Hubert Tison
Roteiro: Jean Giono
Jean Roberts
Narração: Philippe Noiret
Christopher Plummer
Edição:   Norbert Pickering
Duração: 30 minutes
País de Origem: Canada
Língua Original:French

Direção: Frédéric BackProdução: Frédéric Back                Hubert TisonRoteiro: Jean Giono                Jean RobertsNarração: Philippe Noiret                Christopher PlummerEdição:   Norbert PickeringDuração: 30 minutesPaís de Origem: CanadaLíngua Original:French

Produzida em 1988, esta animação dá “movimento” ao fantástico texto homônimo de Jean Giono(1895-1970) que foi produzido para a Revista Readers Digest, em 1953 e cuja expressão atingiu proporções mundiais. Uma obra que abarca uma ambientação muito ampla ao englobar os anos desde 1913 a 1947 e é considerada um manifesto pela causa ecológica, tendo sua adaptação para as telas feita pela dupla Frédéric Back e Philippe Noiret Por este motivo, acho pertinente desenvolver um pouco algo a respeito do contexto deste período.
A história tem início um ano antes do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro Francisco Ferdinando. Momento que marca o início da Primeira Guerra Mundial (ou A Grande Guerra(1914-1918), como ficou conhecida no período) cuja destruição de boa parte da Europa em função da lógica da “guerra total” (presente no contexto) e do desenvolvimento das “máquinas de guerra” – inclusive a primeira utilização do avião com tal finalidade –conduziu estes países a um momento caótico, marcado pela reconstrução das cidades destruídas tanto da Tríplice Entente, como da Tríplice Aliança.
Esta guerra fica marcada como um conflito de caráter puramente imperialista, no qual as grandes potências européias digladiavam-se pelo predomínio econômico sobre as colônias da África e Ásia, com fim de obter fontes garantidas de mão-de-obra barata e matéria prima, assim como desenvolver novos nichos de mercado para seus produto. Tal conflito teve seu fim com a derrota da Tríplice Entente, composta pela Itália (que passa para o lado da Aliança no ano seguinte ao início da guerra), Império Austro-Húngaro e Alemanha e culminou no famoso Tratado de Versalhes conhecido por agregar, em si, conceitos imperialistas por impor condições muito “pesadas” às nações derrotadas – algo que resultou em um forte sentimento revanchista entre as mesmas, assim como ofereceu uma situação favorável aos EUA para que estes tivessem um crescimento econômico sem precedentes, pautado no fornecimento de materiais e alimentos para a reconstrução da Europa.

Capa da revista VEJA sobre o assunto

Adentrando pelo período conhecido pelos historiadores como “entre guerras”, teremos a reorganização econômica dos países no continente europeu e fez com que estes não tivessem mais necessidade de importar enormes quantias de produtos. Algo que levou os EUA entrarem em uma profunda crise econômica (Crise de 1929), devido uma excessiva produção que ficou sem possibilidade de escoamento e fez com que uma crise de caráter cíclico se estabelece entre os norte-americanos e atingisse seu ápice no dia 24 de outubro de 1929 – a “quinta-feira negra” – quando se dá a efetiva “quebra” da bolsa de valores.

Fotografia da algomeração de uma multidão de pessoas em frente a bolsa de valores, em 24 de out de 1929

Desta maneira, a crise se espalha por todo o globo terrestre e resulta no que ficou conhecido como “A Grande Depressão” e será fator direto para possibilitar o surgimento de propostas de governo extremistas (tanto de esquerda, como de direita), resultando na conhecida disseminação de governos autoritários – de caráter fascista – por toda Europa, pautados em um forte nacionalismo, protecionismo econômico e centralização do poder nas mãos de um líder “forte”. Em meio a isto, teremos ascensão de personalidades cujos discursos irão inferir diretamente no desespero de massas famintas como Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália, Salazar em Portugal e Franco na Espanha.
Por fim, a 2º Guerra Mundial (1939-1945) que vem como uma continuação da Grande Guerra, impulsionada pelo sentimento insatisfação/revanchismo entre as potências econômicas que se viram desfavorecida com o Tratado de Versalhes, já que não obtiveram interessantes colônias para fornecimento de mão-de-obra e matéria-prima. Seriam ela a Itália, Japão e Alemanha; que terminaria por se tornar o grupo conhecido como “Eixo” e rivalizaria militarmente com os “Aliados”.

A destruição resultante da 2ªG.M.

Como resultado deste conflito temos a derrota do Eixo, marcada pelo lançamento das bombas nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki e, uma vez mais, a Europa termina totalmente destruída. A partir deste momento, da-se início os período que ficou conhecido como Guerra Fria.
Apesar de longo (e até maçante) esta contextualização resulta importantíssima para uma melhor compreensão desta animação que parte do relato de um jovem que, por suas andanças conhece o solitário pastor Elzéard Bouffier na região dos Alpes Provençais (entre a região de Banon e Vergons) e o descobre em uma obstinada tarefa de plantar sementes de carvalho por uma região inóspita. Um ato que, para muitos resulta uma loucura, mas que para nosso protagonista revelar-se-á uma importante lição de vida, o conduzindo a uma profunda reflexão a respeito das relações entre o tempo, a natureza e o ser humano.
Dotado de uma complexa serenidade, o personagem de Bouffier é, pelo autor, apresentado como um excepcional modelo de caráter e perseverança que, focado em sua tarefa, passa alheio a estes momentos da história que conduziam ao desespero os mais variados pontos do mundo. Uma situação que nos leva a refletir sobre a ínfima importância dos conflitos humanos diante da invariável do tempo, que passa e dissolve tais pequenisses, restando disso o pó e a poderosa natureza. E que por mais que nos deixemos levar pelos momentos, a situação há de passar e o humano, com sua breve existência, junto com ela.
Esta animação nos ajuda a lembrar o como somos pequenos diante da historia deste mundo e que, assim como muitas civilizações já o fizeram, haveremos de perecer, após este florescimento. Então, a natureza haverá de tomar seu lugar e restaurar as mudanças e a destruição que causamos.
Constituída por meio da complexa técnica do giz pastel, esta obra segue um tranço marcado por constantes mutações e sua semiótica nos conduz por uma constante confusão de um mundo árido e explorador para terminar em vastos campos florescidos, por onde corre um jovem veio d´água. Este final me fez pensar muito sobre a necessidade de persistir em nossos sonhos para que, quando nos formos, fique algo (por menor que seja) construtivo e interessante nos corações daqueles que passam por nós…..

Torrent com legenda

Texto da animação

Veja a animação dublada em português!!!


CHEGA DE ESCREVER………….

Desculpa ter ficado tão grande¬¬

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